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Os Lampiões que Iluminaram a Fé: História e Memória no Museu do Protestantismo do Ceará

A luz do evangelho brilhou no Ceará em 1914 - substituição da lamparina pelo lampião

Os Lampiões das cidades de: São Luis do Curu, Itapajé, Tianguá e da capital cearense – Uma história de memória sobre a presença do farol que brilhou nas terras do Ceará | Por Historiador Carlos Castro

A história da iluminação no cotidiano da humanidade acompanha o próprio desenvolvimento da civilização. Um antigo documento encontrado no Arquivo Público registra um contrato curioso: a instalação dos primeiros lampiões a gás na cidade. O acordo previa que, nas noites de lua cheia, as luminárias seriam desligadas mais cedo, enquanto nos demais dias permaneceriam acesas até as seis da manhã.

Um artigo de jornal da época relata que a mudança significativa ocorreu em 1º de março de 1848, quando o coronel português Vitorino Augusto Borges foi contratado para instalar 44 lampiões, devendo mantê-los “limpos e brilhantes”, durante a gestão de Casimiro José de Moraes Sarmento. Esses lampiões funcionavam à base de azeite de peixe, um recurso comum antes da popularização do gás e da eletricidade.

No contexto da história pentecostal no Ceará, essas luminárias também tiveram papel simbólico e prático na expansão do evangelho pelos sertões nordestinos. Em Itapajé, a família do obreiro Iran Araújo Pinheiro, por meio de seus filhos João e Miriã, doou ao Museu um dos lampiões utilizados nas primeiras reuniões do evangelho naquela cidade.

O Museu do Protestantismo do Ceará (MPC) conserva com zelo quinze lampiões históricos, testemunhos silenciosos de uma época em que a luz física e a luz espiritual se encontravam nas noites de culto e oração. Sete dessas peças, apresentadas nesta reportagem, revelam não apenas a história dos objetos, mas também a memória das famílias que os preservaram e dos lugares onde serviram.

Sob a curadoria do historiador Carlos Castro, o acervo do Museu MPC mantém viva a lembrança desses instrumentos de fé e perseverança — os lampiões a gás que iluminaram os primeiros passos da Assembleia de Deus no Ceará, hoje preservados como relíquias da história do protestantismo nordestino.